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Pastoral da Saúde
Atua na área da saúde, em três
dimensões: solidária, comunitária e político-institucional
É a ação evangelizadora de todo o povo de Deus
comprometido em promover, preservar, defender, cuidar e celebrar
a vida, tornando presente no mundo da saúde a ação
libertadora de Jesus, nas seguintes dimensões:
I - Solidária - vivência e presença
samaritana junto aos doentes e sofredores nas instituições
de saúde, na família e comunidade (portadores do vírus
HIV, AIDS, portadores de deficiências, drogados, alcoolizados,
etc.). Visa atender a pessoa integralmente, nas dimensões
físicas, psíquica, social e espiritual.
II - Comunitária - visa a promoção
e educação para a saúde. Relaciona-se com saúde
pública e saneamento básico, atuando na prevenção
das doenças. Procura valorizar o conhecimento, sabedoria
e religiosidade popular em relação à saúde.
III - Político -institucional - atua junto
aos Órgãos e instituições, públicas
e privadas que prestam serviço e formam profissionais na
área da saúde. Zela para que haja reflexão
bioética, formação ética e uma política
de saúde sadia.
OBJETIVO GERAL
Evangelizar com renovado ardor missionário o mundo da saúde,
à luz da opção preferencial pelos pobres e
enfermos, participando da construção de uma sociedade
justa e solidária a serviço da vida.
DIMENSÕES
I - DIMENSÃO SOLIDÁRIA
A - Objetivos específicos:
1 - Sensibilizar a sociedade e a Igreja a respeito do sofrimento,
denunciando a marginalização dos doentes, portadores
de deficiências e idosos e de maneira especial, em face das
novas formas de sofrimento e de doenças contemporâneas
(AIDS, doentes mentais e terminais, etc.).
2 - Zelar pela humanização e evangelização
das instituições de saúde, visando ao bem-estar
global de todos os que nele se encontram (profissionais, funcionários,
doentes e familiares).
3 - Proporcionar atendimento pastoral aos doentes internados e
a domicílio.
4 - Favorecer políticas de humanização, colocando
o doente como razão de ser das instituições
de saúde, no resgate da dignidade humana, no processo de
fortalecer a fé e a esperança cristã.
5 - Sensibilizar e integrar a comunidade e as instituições
de saúde, uma vez que estas fazem parte dela.
6 - Preparar agentes de pastoral da saúde para anunciar
a boa Nova ao ser humano, diante do confronto com o sofrimento,
a doença e a morte, bem como no respeito ao sigilo ético
em relação às informações confiadas.
7 - Relacionar-se com as diferentes tradições religiosas
num diálogo que respeite a liberdade de consciência.
8 - celebrar nas instituições de saúde (hospitais,
ambulatórios, postos de saúde) e comunidade datas
significativas relacionadas com o mundo da saúde, tais como
Natal, Páscoa, dia do Enfermo (São Camilo), Dia Mundial
da Saúde (7 de abril), dia do médico, Dia do enfermeiro.
9 - Contribuir para a humanização e evangelização
das estruturas, instituições e profissionais da saúde,
atuando junto aos mesmos no seu processo de formação
profissional a fim de cultivar valores humanos, éticos e
cristãos.
B - Atividades a desenvolver:
1 - Junto aos doentes e familiares:
1.1 - atender os doentes nas casas, acompanhando-os no cotidiano
e fortalecendo seu relacionamento com os familiares e comunidade;
1.2 - visitar os doentes que estão hospitalizados de forma
sistemática e organizada, acompanhando especialmente os que
estão em situações críticas. Preparar
os agentes de pastoral para atuar nas unidades especiais;
1.3 - programar e realizar celebrações litúrgicas
criativas (missas, cultos e outros), que resgatem a dimensão
celebrativa da vida numa perspectiva de fé e esperança;
1.4 - acompanhar os familiares dos doentes, ajudando-os nos momentos
difíceis especialmente quando a perda de entes queridos (Pastoral
da Esperança);
1.5 - possibilitar aos doentes a recepção dos sacramentos
e sacramentais quando o desejarem;
1.6 - acompanhar solidariamente, de modo especial, os doentes terminais
e os idosos da comunidade com cuidados de saúde;
1.7 - elaborar subsídios (livretos, mensagens, boletins,
etc.), que transmitam esperança, solidariedade e fé.
2 - Junto à comunidade com seus agentes, por meio da:
2.1 - promoção de encontros e parcerias com grupos
paroquiais, movimentos eclesiais e ecumênicos bem como outras
entidades, para um trabalho de sensibilização na perspectiva
de promover saúde (educação preventiva) e cuidar
solidariamente dos doentes;
2.2 - formação humana cristã dos agentes de
Pastoral da saúde que são da comunidade e prestam
serviço voluntário nas instituições
de saúde ou nos domicílios;
2.3 - organização de reuniões, dias de formação
e treinamento em termos de aconselhamento e atendimento pastoral,
para capacitação humana, afetiva, ética e técnica
das pessoas que desejarem prestar esse serviço;
2.4 - estímulo para que os profissionais da saúde
prestem serviços de educação e cuidados de
saúde em comunidades carentes, favelas, periferias e zonas
rurais;
2.5 - empenho na criação de associações
católicas de profissionais da saúde.
3 - Junto aos profissionais da saúde e servidores das instituições
de ssaúde, com ações que:
3.1 - priorizem o atendimento pastoral aos profissionais da saúde
que atuam nas instituições de saúde;
3.2 - programem e realizem palestras, cursos, debates e círculos
de estudo sobre assuntos de interesse ao mundo da saúde tais
como: ética, bioética, relações humanas,
evangelização, catequese, temas da Campanha da Fraternidade,
cura na perspectiva bíblica, sofrimento humano na perspectiva
cristã e outros;
3.3 - engajem os profissionais da saúde e servidores no
processo de humanização e evangelização;
3.4 - criem uma equipe multidisciplinar de apoio à Pastoral
da Saúde.
II - DIMENSÃO COMUNITÁRIA
A - Objetivos Específicos:
1 - Conscientizar a comunidade a respeito do direito à saúde
e o dever de lutar por condições mais humanas de vida,
terra, trabalho, salário justo, moradia, alimentação,
educação, lazer, saneamento básico e preservação
da natureza.
2 - Priorizar ações de educação, implementando
uma verdadeira cultura de saúde, com ênfase em ações
preventivas, permeadas pelos valores da justiça, eqüidade
e solidariedade.
3 - Resgatar e valorizar a sabedoria e a religiosidade popular,
relacionadas com a utilização dos dons da mãe
natureza e conservação do meio ambiente.
4 - Refletir, à luz da fé cristã e da pessoa
de Jesus, a realidade da saúde e da doença, bem como
as implicações da ciência, tecnologia e bioética.
Implementar os valores éticos da solidariedade e cidadania,
visando à construção de uma sociedade justa
e solidária.
5 - Incentivar e desenvolver a formação e capacitação
contínua dos agentes de pastoral da saúde, nos aspectos
humanos, técnicos, éticos e cristãos criando-se
centros regionais de formação de agentes de pastoral.
6 - Estar atento para as diferentes práticas alternativas
de saúde, não pertencem a nossa cultura, que são
usadas sem a necessária fundamentação e comprovação
científica e que causam estranheza, insegurança, desconfiança
e descrédito da ação pastoral na comunidade,
evitando-se assim o fanatismo e dogmatismo.
7 - Priorizar a educação transformadora, a partir
da comunidade, sob o critério dos valores da justiça,
solidariedade e mística cristã.
B - Atividades a desenvolver:
1 - Juntos aos doentes e familiares:
1.1 -oferecer presença e ajuda na solução
dos seus problemas de saúde, numa atitude solidária
e fraterna, mas permitir igualmente, que ele seja agente do seu
processo de decisão quanto ao tratamento e quanto a sua conduta
posterior;
1.2 - garantir das entidades prestadoras de serviços, através
da participação comunitária, o cumprimento
de sua missão na prestação de serviços
que integrem os cuidados e assistência aos doentes e a população
local;
1.3 - denunciar situações de cuidados precários
de saúde, mau atendimento nas instituições
de saúde, a não distribuição eq6uitativa
dos recursos, as cobranças indevidas e existência de
preconceitos quando isso ocorrer;
1.4 - conscientizar em relação às práticas
alternativas de saúde, a respeito de seus valores e limites
questionando-as com a necessária fundamentação
e conservação científica;
1.5 - esclarecer os doentes e familiares a respeito de seus direitos.
2 - Junto à comunidade com seus agentes, por meio da:
2.1 - motivação, organização e engajamento
em ações educativas, utilizando-se de reuniões,
palestras, cursos, sobre saúde e suas diferenças práticas;
2.2 - garantia da continuidade das ações, ma medida
em que se complexificam, ou na medida em que se simplificam os recursos
necessários, bem como o apoio técnico e operacional
para o desenvolvimento de tais ações na resolução
dos problemas;
2.3 - desenvolvimento da reflexão ética sobre os
aspectos envolvidos na prestação de serviços
de saúde à comunidade pelo Estado, bem como das relações
de trabalho estabelecidas entre técnicos e comunidade;
2.4 - acompanhamento das ações dos agentes de pastoral
da saúde, através do conhecimento da realidade de
saúde com informações precisas, que possibilitem
a tomada de decisão, avaliação e planejamento
das atividades;
2.5 - incentivo à criação de grupos e/ou associações
de apoio aos doentes crônicos e seus familiares.
3 - Junto aos profissionais da saúde e servidores das instituições
de saúde com ações que:
3.1 - desenvolvam a função de ligação
entre a população e os serviços implantados,
nas suas atividade cotidianas, e nos Conselhos locais e distritais
de saúde;
3.2 - capacitem a população a cuidar de sua saúde,
transmitindo-lhes informações e conhecimentos, ao
mesmo tempo em que desenvolvam a efetiva consolidação
da assistência à saúde local;
3.3 - promovam espaços de avaliação, planejamento
e supervisão de todo processo que for desencadeado, com fins
de aprofundamento, treinamento e atualização;
3.4 - busquem atendimento humanitário através de
adequadas condições de trabalho, apoiando e valorizando
os profissionais da área da saúde;
3.5 - ajudem a entender a saúde como direito fundamental
da pessoa humana, cultivo de estilos saudáveis de vida e
a ter uma boa qualidade de vida, para além das ações
imediatas de cura.
III - DIMENSÃO POLÍTICO INSTITUCIONAL
A - Objetivos Específicos:
1 - Considerar a saúde como um direito fundamental da pessoa
humana estreitamente vinculado à solidariedade e eqüidade.
2 - Participar ativa e criticamente nas instâncias oficiais
que decidem a política de saúde na nação,
estado, região e município.
3 - apoiar e criar espaços de luta política e solidariedade
em favor da vida, valorizando as organizações populares
e suas iniciativas.
4 - Recuperar o compromisso constitucional da seguridade Social,
definida como um conjunto de ações do Poder Público
e da sociedade, destinado a assegurar o direito à saúde,
previdência e assistência social.
5 - Envolver-se nas ações de políticas de
saúde relacionadas com elaboração do orçamento
da saúde, formação e participação
nos conselhos: locais, distritais, municipais, estaduais e nacional.
6 - Acompanhar e colaborar nas atividades dos conselhos de saúde
no exercício do controle social, exigindo prestação
de contas, em relação à qualidade dos serviços
prestados.
7 - Exigir que o Estado garanta os serviços básicos
de saúde à população, reforçando
a idéia de que a saúde pública é um
direito social.
8 - Estabelecer canais de comunicação com as instituições
públicas e privadas que atuam na área da saúde
e educação.
9 - Definir estratégias e mecanismos que possibilitem ampliar
a base de sustentação política para as novas
práticas de saúde, considerando a participação
dos gestores e prestadores de serviços e dos usuários
no processo.
10 - Considerar, à luz do principio da eqüidade, que
a realidade de situações desiguais (diferenças
sociais, econômicas, culturais, etc.), exigem intervenções
e ações diferenciadas para a solução
dos problemas.
11 - Articular a pastoral da saúde com outras pastorais,
movimentos, organismos e instituições, afim de viabilizar
recursos materiais, financeiros, humanos, bem como ações
e projetos comuns.
12 - Cuidar para que no âmbito do relacionamento e parcerias
com os poderes públicos, a pastoral da saúde não
substitua o que é função do Estado.
13 - Possibilitar a formação específica dos
agentes de pastoral da saúde que atuam como conselheiros,
acompanhando-os e avaliando-os periodicamente.
14 - Incentivar para que as universidades e instituições
de ensino católicas, bem como nos seminários, sejam
introduzidos cursos de aprofundamento em Pastoral da Saúde.
B - Atividades a desenvolver:
1 - Junto aos doentes de familiares:
1.1 - educar através de campanhas informativas, cursos,
encontros a respeito de doenças, prevenção
e promoção de saúde;
1.2 - conscientizar para o novo conceito de saúde como qualidade
de vida e estilos de vida saudáveis, além de valorizar
a perspectiva holística, isto é, vendo o ser humano
nas suas dimensões física, psíquica, social
e espiritual.
2 - Junto à comunidade com seus agentes, por meio da:
2.1 - divulgação de dados e informações
sobre a realidade da saúde no país;
2.2 - formação do Conselhos de Saúde, locais,
distritais, municipais e espirituais;
2.3 - acompanhamento e divulgação das atividades
do Conselho de Saúde visando o aumento do controle social;
2.4 - orientação dos agentes de Pastoral da Saúde
em política de saúde, especialmente no que se refere
a: Conselho gestor de hospitais, consórcios, ambulatórios
de especialidades, unidades básicas de saúde e normas
operacionais do Ministério da Saúde.
3 - Junto aos profissionais da saúde e servidores das instituições
de saúde, com ações que:
3.1 - possam se articular com os serviços básico
de saúde do município, no gerenciamento de unidades
ambulatórios e hospitalares, respeitando os princípios
do SUS (eqüidade, universalidade, integridade, descentralização);
3.2 - façam transparecer a efetiva retaguarda institucional
garantida por lei;
3.3 - expressem e assumam a perspectiva de ver saúde como
qualidade de vida e o cultivo de estilos de vida saudáveis;
3.4 - garantam práticas de prevenção da doença,
acompanhando o desenvolvimento dos demais temas vinculados aos direitos
fundamentais;
3.5 - integrem equipes de saúde com distintos profissionais,
necessários à realização de ações
definidas para a solução dos problemas;
3.6 - avaliem periodicamente o impacto das ações
de saúde sobre a realidade local, revendo constantemente
o seu planejamento;
3.7 - colaborem na formação ética dos futuros
profissionais da saúde, levando em conta as necessidades
sociais. Formar profissionais da saúde para fazer o que?
No interesse de quem? A partir de que critérios e valores?;
3.8 - divulguem as atividades desenvolvidas junto à comunidade,
garantindo informações e efetivando o controle social
na saúde.
Documento elaborado na III Assembléia da Pastoral da Saúde
- CNBB
São Paulo, 3-4 de setembro de 1997.
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