Dúvidas
Tratamento ortodôntico em pacientes com problemas
periodontais - 2/2004
Meus dentes estão com mobilidade e mudando de posição
rapidamente. Vários espaços estão aparecendo
entre eles. Por que isso acontece?
Pequenas alterações no posicionamento dos dentes
ocorrem durante toda a vida, sendo que as mais freqüentes são
as rotações dentárias, a abertura de espaço
entre os dentes e o apinhamento, principalmente no arco inferior.
Esse processo, porém, é lento, mas a mudança
rápida do posicionamento dentário pode ser decorrente
de perdas dentárias ou processos patológicos como
a doença periodontal, que pode ocorrer em indivíduos
de qualquer idade, desde a adolescência.
Quais os sintomas dessa doença e como ela é
causada?
Os sintomas primários da doença periodontal são
o sangramento gengival durante a escovação e/ou mastigação,
podendo aparecer também, conforme o processo patológico
evolui, pus e mobilidade dentária. A causa da doença
periodontal é multifatorial, ou seja, vários fatores
contribuem para o seu aparecimento: má higiene, presença
de placa bacteriana, fatores hereditários e baixa resistência
imunológica.
Quais as conseqüências dessa doença?
A conseqüência mais grave é a perda óssea,
minando o suporte dentário e, conseqüentemente, provocando
mobilidade. A longo prazo, se a doença não for tratada,
os dentes são perdidos.
É possível reposicionar os dentes com aparelhos
ortodônticos quando se tem doença periodontal?
Sim, é possível, desde que alguns cuidados adicionais
sejam tomados. No pedido da documentação ortodôntica,
as radiografias periapicais da boca toda constituem o item de diagnóstico
mais importante. Antes de qualquer intervenção ortodôntica,
o paciente deve ser encaminhado ao periodontista para que sejam
realizadas instrução de higiene, raspagem e curetagem
gengival e, em determinados casos, até alguma intervenção
cirúrgica. Feito isso, o tratamento ortodôntico poderá
ter início, sendo que o paciente deverá realizar controles
no periodontista em intervalos regulares de 3 a 4 meses durante
o tratamento.
O movimento ortodôntico poderá causar maior
perda óssea?
Não, desde que osso e gengiva sejam mantidos com saúde.
O osso presente responde da mesma forma que em pacientes normais.
Daí o controle periódico por parte do periodontista
ser tão importante. Se for negligenciado esse aspecto e houver
presença de inflamação durante a movimentação
ortodôntica, aí então o processo de perda óssea
será agravado.
Então não existem limitações
nessa modalidade de tratamento?
Existem. Apesar de não ocorrerem perdas ósseas adicionais,
o fato de apresentar suporte ósseo reduzido provoca sobrecarga
de força no ápice da raiz durante a movimentação,
predispondo o dente à reabsorção do ápice
radicular. Para reduzir esses efeitos indesejados devem ser usadas
forças leves na movimentação, deve-se aumentar
o intervalo entre as ativações e evitar grandes movimentos
de corpo, que ocorrem principalmente nos casos em que são
planejadas extrações com futuro fechamento dos espaços.
Ao final do tratamento ortodôntico será necessário
algum outro aparelho para estabilizar os resultados?
Sim, ao final do tratamento ortodôntico freqüentemente
se usa um aparelho removível superior e um fio colado aos
caninos inferiores. No caso de pacientes que apresentam perdas ósseas,
essas contenções deverão ser permanentes, ou
seja, para a vida toda, e os controles periódicos no periodontista
devem continuar indefinidamente, pois a possibilidade de recorrência
da doença permanece e pode ser evitada com esses cuidados.
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