Dúvidas
Amamentação e a Odontologia - 8/1997
A amamentação tem sido incentivada por ser o leite
materno não só o alimento mais completo e digestivo
para crianças de até um ano de idade, como também
por ter ação imunizante, protegendo-as de diversas
doenças. Crianças aleitadas ao peito têm melhor
desenvolvimento mental e maior equilíbrio emocional. A amamentação
é gratificante para a mãe e interfere beneficamente
na saúde da mulher, por exemplo, diminuindo a probabilidade
de câncer de mama, ajudando na involução do
útero e na depressão pós-parto. Hoje, diz-se
que o leite materno é ecologicamente correto, pois não
consome recursos naturais em sua produção e não
gera lixo, como ocorre com os leites artificiais, além de
ser mais barato.
Porém, poucos sabem que a amamentação tem
reflexos futuros na fala, respiração e dentição
da criança.
Um exercício muito importante
Quando a criança é amamentada, está não
só sendo alimentada, como também fazendo um exercício
físico dieta importante para desenvolver sua ossatura e musculatura
bucal. Ao nascer, o bebê tem o maxilar inferior muito pequeno,
que irá alcançar equilíbrio no tamanho em relação
ao maxilar superior tendo seu crescimento estimulado pela sucção
do peito.
Toda a musculatura bucal é desenvolvida, músculos
externos e internos, que, solicitados, desenvolvem os ossos.
Mamar no peito não é fácil, daí o bebê
ficar bastante transpirado. Esse exercício é o responsável
inicial no crescimento harmonioso da face e dentição.
Usando mamadeira, esse exercício é quase inexistente,
e a preferência do nenê pela mamadeira vem da facilidade
com a qual ele ganha o leite, principalmente quando este flui por
um furo generoso no bico. Para exercitar-se com maior eficiência,
a posição durante a mamada é importante: a
criança deverá ficar o mais verticalizada, o que também
facilita a deglutição do leite.
Uma atitude na tentativa de evitar apinhamento dental (dentes
"encavalados)
Maxilares melhor desenvolvidos propiciarão um melhor alinhamento
da dentição, diminuindo a necessidade futura do uso
de aparelhos ortodônticos. Músculos firmes ajudarão
na fala. Durante a amamentação, aprende-se respirar
corretamente pelo nariz, evitando amigdalites, pneumonias, entre
outras doenças. Quando a criança respira pela boca,
os dentes ressecados ficam mais expostos à cárie e
as gengivas ficam inflamadas, os maxilares tendem a sofrer deformações
e os dentes, a ficar "encavalados", aumentando também
o processo de cárie.
A amamentação prepara o bebê para a
mastigação
A mamadeira costuma tomar-se uma companheira para a criança
ao longo de anos, habituando-a a uma dieta mole e adocicada, que
aumenta o risco de cáries (cárie de mamadeira); a
criança tende a recusar alimentos que requeiram mastigação.
Depois da amamentação, a mastigação
correta continuará a tarefa de exercitar ossos e músculos.
A amamentação prepara a criança para a mastigação.
Muitas mães reclamam que seus filhos, já crescidos,
não mastigam corretamente e recusam verduras e frutas, apreciando
apenas doces e iogurtes.
Esquecem-se essas mães de que o que os habituou a essa foi
o uso prolongado da mamadeira. Mastigação incorreta
pode levar também a problemas de obesidade e de estômago.
Evitando hábitos prejudiciais
Atrelada à mamadeira, vem a chupeta, que também é
usada normalmente por muito tempo, e o hábito de chupar o
dedo, afetando o posicionamento dos dentes e trazendo também
conseqüências danosas à fala e à respiração.
Abandonando a mamadeira
A partir dos quatro meses, quando a mãe lentamente começar
a introduzir outros alimentos (desmame), deverá fazê-lo
usando apenas copos e colheres, evitando o uso de mamadeira ou "chuquinha".
Prevenindo a cárie
A primeira consulta odontológica de uma criança deveria
ser antes do nascimento de seu primeiro dentinho; nesse primeiro
encontro, o odontopediatra orientaria a respeito da higienização,
dieta e com proceder quando os dentes começarem a irromper
e a incomodar o bebê. Entre outras coisas, aconselharia os
pais a acosturnarem-se a levar seus bebês ao dentista, assim
como os levam ao pediatra, no sentido de se poder acompanhar de
perto o desenvolvimento destes na tentativa da erradicação
da doença cárie.
Orientações sugeridas por Ana Maria Lancia Sousa
- Odontopediatra e Orientadora de Gestantes na Prefeitura de Atibaia..
REVISTA DA APCD V. 51, Nº 4, JUL./AGO. 1997
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